segunda-feira, 2 de julho de 2007
Curiosidades da Reforma Agrária
Existem duas visões conflitantes a respeito da agricultura brasileira. Segundo a mais antiga, o Brasil tem terras tão esplêndidas e vastas que poderia ser o celeiro do mundo. A outra é baseada na observação prática de quem viaja pelo país. Fora algumas regiões do centro e do sudeste, que têm lavouras vistosas, uma boa parte do terreno brasileiro é formada por matagal inaproveitado. Ou por roçados em que a família cria bode, galinha e planta inhame para comer no casebre. Nessa paisagem há também o latifúndio improdutivo, dominado pelo coronel que prefere mexer com política a plantar alguma coisa. É a essa combinação de terras férteis, mas ociosas, que se dá o nome de problema agrário brasileiro. Esse problema, temperado por surtos de agitação rural, é muito discutido, tema de análises acadêmicas e de discursos inflamados no Congresso. Fala-se demais sobre a terra brasileira e pouco se faz. Muitos números indicam que o Brasil pode ser mesmo um dos celeiros mundiais, mas o fato é que o país nunca teve uma política agrária global, digna desse nome. Nas áreas em que se planta com técnicas modernas, a agricultura brasileira é altamente produtiva, quase tanto quanto a européia ou a americana. Mas na maior parte do Brasil planta-se ao acaso. Se der certo, deu. E geralmente não dá - porque não há planejamento, dinheiro, técnica, tradição.
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Um comentário:
eu achei esse texto bom!
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